Acidentes com crianças podem ser evitados com simples medidas de segurança

menina








































Basta uma saidinha à rua para “tropeçar” em flagrantes de riscos potenciais. Eles estão aos montes e saltam aos olhos, pelo menos de quem tem um olhar, digamos assim, mais “calibrado” para questões de segurança. Foi o que ocorreu comigo dia desses, o que me rendeu um clique e, claro, um puxão de orelha numa mãe, digamos, absorvida pela paisagem urbana. Observe a foto; leia o que vem a seguir, e eu voltarei depois ao caso da…Menina da Estação.

Nada mais natural do que uma criança que explora tudo à sua volta. Para que essa fase do desenvolvimento dela não descambe para uma tragédia, é imperativo que os responsáveis atentem para uma triste realidade: muitos dos acidentes na infância ocorrem e poderiam ter sido evitados com medidas simples de segurança. Segundo o Ministério da Saúde, a maioria das quedas entre crianças até os 9 anos de idade, por exemplo, se deu dentro de casa. Informações coletadas em unidades de urgência do SUS de 37 cidades brasileiras demonstraram isso: dos 10.988 atendimentos a crianças até 9 anos de idade, 5.540 (50,4%) foram provocados por quedas – a maioria, 3.838 (69%), dentro da casa das vítimas.

Em princípio pode parecer complexo adotar medidas de segurança para salvaguardar os pequenos de acidentes – alguns que podem lhes trazer sequelas permanentes ou até mesmo a morte -, mas é até simples. Aqui você verá que garantir um ambiente seguro à criança está perfeitamente em acordo com o principal conceito de sobrevivência, o qual eu tenho enfatizado sempre aqui na coluna “Sobreviva”: “a sobrevivência é uma mentalidade, uma forma de pensar e perceber o mundo à nossa volta”. Seguindo esse raciocínio você deverá se habituar à alguns procedimentos de segurança e, principalmente, orientar e condicionar a criança e todos os que têm alguma relação com ela quanto à observância e manutenção desses procedimentos. Tudo que você transformar em hábito, será mais fácil você realizar e lembrar. Abaixo vão alguns desses procedimentos: 1. JANELAS, SACADAS, MEZANINOS, VITRÔS, etc. ATENÇÃO: CRIANÇAS PEQUENAS NÃO TEMEM À ALTURA. A mente de uma criança ainda não está impregnada pelo medo, este que vai sendo despertado nela à medida que cresce e amadurece; portanto instale grades ou redes de proteção, esta última deve estar muito bem fixada e requer inspeções periódicas, pois se deterioram rapidamente quando expostas às condições das intempéries. Não acredite cegamente na propaganda dos fabricantes quanto à validade do produto – que via de regra está entre 6 a 10 anos – em média essas redes duram TRÊS ANOS. Antes de adquirir ou alugar um imóvel em condomínio, certifique-se se há restrições acordadas em convenção condominial, quanto à colocação desse tipo de proteção. Lembre-se: o maior bem humano é a vida.  No caso dos chamados vitrôs de correr, é fácil colocar travas dos tipos: sarrafo de madeira, pedaço de cano, cabo de vassoura, ou corrente com cadeado, que deixe apenas uma passagem estreita para a ventilação, INsuficiente para a passagem do corpo da criança. Já nos vitrôs basculantes, essa abertura pode ser facilmente delimitada fixando uma corrente com arrebites de metal à estrutura do vitrô.

  1. Cadeiras, camas, bancos, baús, pufes, etc. (todo objeto que possibilite à criança escalar e se debruçar à janela): devem ser mantidos afastados de janelas.
  2. Escadas: deixe a estética do ambiente em segundo plano e adapte portões de segurança no topo e no pé. Se a escada for aberta nas laterais, instale redes ou grades ao longo dela.
  3. Pisos (lisos e tapetes). Não encere o piso e providencie antiderrapantes nos tapetes para evitar escorregões. Na maioria das quedas infantis atendidas nos postos do SUS, as criançasCAÍRAM DO MESMO NÍVEL, ou seja, as quedas foram causadas por tropeções, pisadas em falso ou desequilíbrios/escorregões.
  4. BELICHES:crianças com menos de 6 anos não devem dormir em beliches. Se não houver outro local, instale grades de proteção nas laterais.
  5. ANDADORES: ouso de andadores não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pois pode comprometer o desenvolvimento e causar sérias quedas.
  6. TOMADAS: proteja com protetores específicos; são baratos e facilmente encontrados no comércio.
  7. FERRO DE PASSAR: não o deixe quente – NEM FRIO E DESLIGADO! – ao alcance da criança.
  8. PANELAS: os cabos devem ficar virados para dentro do fogão.
  9. PORTAS: use protetores nas portas para evitar que a criança esmague mãos ou dedos.
  10. RECIPIENTES COM ÁGUA:uma criança pode se afogar em apenas 2,5 cm de profundidade. Todo cuidado, portanto, com baldes e tanques cheios, além das piscinas, sem proteção adequada, claro. Mais: atenção aos vasos sanitários.
  11. TEMPERATURAS: teste a temperatura de alimentos líquidos e sólidos antes de oferecer à criança.Antes do banho, teste a temperatura da água da banheira com a parte interna do cotovelo: se lhe incomodar, é porque vai doer muito na pele sensível dos pequenos.
  12. REMÉDIOS:devem permanecer longe do alcance das crianças.
  13. PRODUTOS DE LIMPEZA:devem permanecer longe do alcance das crianças e, NUNCA, os coloque em embalagens de alimentos, doces e refrigerantes. É enorme a chance da criança confundir e ingerir. Evite também deixá-los na parte de baixo de pias e armários.

 

OUTRAS ORIENTAÇÕES: Orientar a criança é tão importante quanto tomar todas as medidas acima. Tenha sempre em mente que um dia ela pode ficar só, ou em um ambiente desconhecido (casa de parentes, etc.), e lá estará, por exemplo, uma tomada desprotegida, pronta para ela pôr o dedinho nela. Crianças devem ser orientadas sempre a brincar em locais seguros, e SEMPRE VOCÊ EXPLICANDO O PORQUÊ de cada cuidado. Tem que ficar gravado na memória dela, por exemplo, que escadas, sacadas e lajes não são playgrounds. Nunca associe medicamentos com balas e doces. Certamente ela vai associar, por exemplo, um xarope para tosse, sabor de morango à néctares de frutas, iogurtes, etc. e comprimidos à balas, etc. Na hora de trocar fralda: uma mão deve estar sempre em contato com o bebê. Nunca vire para pegar algo perdendo o contato com o corpo da criança, sobretudo se ela estiver sobre uma mesas, cama e outros móveis, mesmo que seja por um segundo. Alerta total quando uma criança estiver na cozinha, o que deve ser evitado sempre.

Voltemos à foto da menina e a mãe na estação do BRT (transporte rápido por ônibus).

Antes de analisarmos o evento, sugiro desconsiderarmos a responsabilidade da operadora do BRT na questão, mesmo porque, nos casos de perdas e danos à vida, nunca haverá pedidos de desculpas ou indenizações por parte destas que compensarão. Façamos a nossa parte. Adiante.

Pois bem… Na foto vemos uma mãe e uma criança posicionadas numa plataforma de estação de BRT aguardando o embarque. Aparentemente tudo normal não fossem alguns fatores de risco potenciais:

1 – Criança: na faixa dos 5/6 anos, LIVREMENTE, posicionada à poucos centímetros de uma porta de vidro, ABERTA (provavelmente com defeito), que dá acesso ao beiral de embarque e desembarque, este a UM METRO E MEIO DE ALTURA em relação a pista de rolamento do BRT.

2 – Mãe: não estabeleceu contato visual ou físico com a criança, tampouco estabeleceu uma barreira física (o próprio corpo) entre a criança e a porta aberta (principal fator de risco).

Conclusão: há pouco eu falava do quão natural é à criança explorar tudo à sua volta. Falava também que para que essa fase do seu desenvolvimento não redunde em acidentes, é importantíssimo que os responsáveis habituem-se à medidas de segurança – algumas muito simples. A criança na situação em tela poderia facilmente se distrair e vir a cair na pista de rolamento do BRT (note que não há nada que a impeça disso), e se isso ocorresse no momento da aproximação do veiculo, a situação se complicaria substancialmente. A conduta certa – e simples! – numa situação como essa seria: a responsável pegaria a criança pela mão, afastariam-se juntas da porta, enquanto a mãe explicaria para a criança o motivo daquela atitude, ou seja, tentaria fazer a criança entender o risco potencial no qual ela estava inserida naquele ambiente. E por que essa última parte é importante? Porque há sempre a possibilidade de uma criança um dia vir a estar só ou sob a responsabilidade de um adulto inepto, relapso ou “absorvido”, como a senhora da foto – o que daria no mesmo.

 

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